Antes mesmo de pensar em construir um currículo, o executivo de TI precisa pensar sobre a imagem pessoal e seus diferenciais.
Meridith Levinson, da CIO.com
Quando seleciono currículos no serviço CIO.com, observo os erros que os executivos da área cometem repetidas vezes. Entre eles, o mais comum é não enfatizar as experiências mais relevantes de trabalho e não explicar quais os benefícios das organizações que foram derivados de seu trabalho, entre outras muitas informações.
O especialista em carreira, parceiro e consultor da empresa de recolocação profissional Essex Partners, Howard Seidel, também notou os erros que os executivos cometem com seus currículos. Aqui ele compartilha os cinco mais frequentes, que devem ser evitados na hora de procurar uma recolocação.
1. Currículo sem uma marca pessoal.
Ele é um veículo de comunicação de um indivíduo. Portanto, antes mesmo de pensar em fazê-lo, os executivos de TI precisam pensar sobre a sua imagem pessoal – isto é, quais as qualidades singulares que reúne, sua personalidade, e a experiência que o distingue de todos os outros líderes de TI no mercado de trabalho.
Cada elemento de um currículo de CIO, a partir do sumário executivo até as especifiações de sua experiência de trabalho e realizações, tem de conter a sua marca. Dessa forma, recrutadores e empregadores terão uma imagem clara do líder de TI.
"O objetivo do currículo é, essencialmente, permitir que as pessoas identifiquem que tipo de líder você é, com base nas suas realizações e nas habilidades que você tem", afirma Seidel.
Os executivos de TI cometem dois erros comuns quando se trata de imagem: tentam retratar a si mesmos como um “faz tudo”, com o objetivo de apelar para tantos empregos e empregadores quanto possível, ou tentam retratar-se como alguém que se encaixa em qualquer empresa que quer um um CIO (atualmente, ser inovador ou líder transformador com foco no crescimento do negócio.)
O problema em se descrever como um generalista em um currículo, diz Seidel, é que torna difícil para os recrutadores determinarem quais são seus pontos fortes. Quando os CIOs tentam retratar-se como algo que não são, os gerentes que estão contratando irão ver através dessa imagem construída. E, na maioria das vezes, a experiência do CIO não comprova essa imagem idealizada.
2. Currículo sem sumário executivo.
Seidel diz que é fundamental ter um sumário executivo, destacando a especialidade e as caracteríticas profissionais do CIO que o diferenciam (ele, ou ela) dos concorrentes. Sumários executivos claros e concisos são poderosos. São importantes porque são a primeira coisa que os recrutadores e gerentes de contratação leem. Se o sumário executivo de um CIO chamar a atenção de um recrutador ele vai continuar lendo.
Aqui está o exemplo de um sumário executivo bom para um CIO:
Executivo de Gestão de TI influente, com mais de 20 anos de experiência em alavancar tecnologia para impulsionar o crescimento, desempenho e rentabilidade da organização. Atua como um agente de mudanças, capaz de orquestrar estratégias de negócios transformadoras por meio de decisões baseadas em dados. Inovador com foco no desenvolvimento de soluções flexíveis e escaláveis voltadas problemas dos consumidores e da organização. Experiência diversa em ambientes de alto crescimento, startup e recuperação com amplo conhecimento do setor de saúde.
Sumários executivos também são fundamentais porque sinalizam para os recrutadores e empregadores que tipo de líder é o CIO e os tipos de posições ou organizações que melhor se adequam a ele, dado o seu fundo e habilidade.
3. Currículo que não informa o nicho funcional do CIO.
Recrutadores e empregadores procuram candidatos para serem classificados quando fazem a triagem dos currículos, diz Seidel.
Uma história da carreira do CIO, combinada com o seu sumário executivo, deve comunicar o nicho funcional do CIO – isto é, os tipos de funções nas quais seria mais adequado. Idealmente, a descrição do CIO de sua experiência de trabalho e realizações vai demonstrar que tipo de CIO ele ou ela é.
Os líderes de TI que tiveram uma carreira "eclética", mudando de papéis de gerenciamento de TI para consultoria ou para iniciar suas próprias empresas, por exemplo, são mais difíceis de serem classificados pelos recrutadores e empregadores, diz Seidel. O truque é transmitir aos recrutadores que eles são versáteis e podem se encaixar em papéis diferentes.
4. Currículo sem realizações concretas.
Ao escrever sobre sua experiência de trabalho, inclua três a cinco metas de negócios específicas que você alcançou, além de ressaltar as responsabilidades de seu núcleo e qual foi o seu papel, informa Seidel. "Certifique-se de que elas foram realmente difíceis de atingir", diz ele. "Se você está se apresentando como um líder transformador, você tem de mostrar a sua experiência em como a organização mudou por meio de suas realizações”. Mas cuidado. Tente ser o mais claro possível, sem, no entnato, fornecer detalhes que possam de alguma forma expor planos estratégicos do antigo empregador.
Realizações concretas são os elementos particularmente críticos de um resumo executivo, acrescenta Seidel, porque dão aos recrutadores e aos empregadores uma noção clara das suas capacidades com base no que você realmente fez. "Os leitores podem inferir uma forte liderança a partir de exemplos de resultados", afirma Seidel.
5. Currículo visualmente pesado.
Alguns executivos de TI sentem-se compelidos a embalar seus currículos com tantos detalhes, projetos e responsabilidades profissionais quanto possível, com o objetivo de dar aos recrutadores e empregadores um entendimento completo sobre suas capacidades e experiência. Essa abordagem, muitas vezes, cria currículos que são difíceis de ler.
Se um recrutador dá uma varredura rápida no seu currículo e fica sobrecarregado por adjetivos ou parágrafos de texto, ele não saberá qual informação é a mais importante, diz Seidel, e irão rapidamente para o próximo currículo.
"Às vezes quantidade deixa de fora a qualidade", acrescenta. "Muitas vezes, mais é realmente menos. Espaço em branco é realmente importante."
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