2011-05-15

Demanda impulsiona investimentos em data centers no Brasil

Fonte : Blog AMR

A injeção de capital que os data centerscomerciais brasileiros receberam recentemente para atualizar a infraestrutura de acordo com as novas exigências do mercado mundial começa a dar retorno. Melhor equipados e com gestão aprimorada, esses provedores ampliaram as ofertas e ganharam massa crítica. O resultado é demanda aquecida pelos serviços, com perspectivas de crescimento anual acima de dois dígitos, prevêem consultorias de pesquisas. Cloud computing será um dos instigadores desse incremento.

Em 2011, os data centers atraíram significativa fatia de clientes predispostos a terceirizar serviços de TI. Segundo as empresas que estão na competição no setor, aumentou a demanda de ofertas tanto pelas pequenas e médias empresas (PMEs) quanto pelas grandes companhias.

Nas PMEs, a busca tem sido mais por aplicações web, com destaque para as soluções em cloud criadas pelos provedores que atendem nesse setor, como é o caso da Hostlocation, Locaweb, UOL Diveo e Alog.

Já os grandes negócios têm buscado mais soluções de hospedagem de equipamentos e aplicações com gerenciamento (hosting management), backup, storage e full outsourcing de TI, segundo prestadores de serviços como HP, IBM, Telefônica, Unisys e Algar Tecnologia.

Um dos motivos que estão levando as companhias a recorrerem mais aos prestadores de serviços de data center é a necessidade de implementação de novas tecnologias com mais velocidade. Com a aceleração da economia, as operações estão crescendo e a TI precisa dar respostas rápidas aos negócios.

Estudos da IDC e Frost & Sullivan confirmam a alta desse negócio no Brasil e projetam crescimento. Ambas divulgaram relatórios com análises otimistas, embora os números apresentem divergência.

De acordo com o estudo “Mercado e Tendências em Data Center no Brasil”, realizado pela IDC, essa área registrará taxas de crescimento anual de aproximadamente 15% nos próximos quatro anos. As estimativas da consultoria são de que esse segmento chegará em 2014 com faturamento de 3 bilhões de reais. A parte de hospedagem de infraestrutura responderá por metade dos negócios, ou seja, movimentará 1,5 bilhão de reais, ante 777 milhões de reais apurados em 2009.

Já a Frost & Sullivan, que monitora essa área há cerca de seis anos no Brasil, estima que o mercado local de data center apresentará taxa anual de crescimento de 9,5% até 2016. Pelas suas previsões, o setor alcançará receita de 2,15 bilhões de dólares, ante 1,25 bilhão de dólares apurado em 2010.

A.T.Kearney também realizou um estudo, encomendado pela Aceco [ especializada em construção de data centers] sobre o mercado brasileiro de data center e projetou crescimento de 16% entre 2010 e 2015. O Gartner não traçou nenhuma projeção para o mercado local, porém sinaliza expansão do segmento, impulsionado principalmente pelas ofertas de cloud computing, que prometem deslanchar no Brasil a partir do segundo semestre.

“O mercado de data center no Brasil tem crescido muito rápido. Novas companhias estão surgindo por causa da crescente demanda. As empresas têm investido bastante não só em hardware, mas em gestão das operações, aprimorando a maturidade da organização”, diz David Coyle, vice-presidente de Pesquisas do Gartner e chairman da conferência de data center, realizada em São Paulo no começo de abril.

Redesenho do mercado

 

A movimentação dos data centers terceirizados para se reposicionarem no mercado brasileiro foi intensificada no ano passado. Diversos provedores investiram em novos centros de processamento de dados baseados em tecnologias e conceitos modernos como virtualização e cloud computing. São instalações projetadas para proporcionar mais segurança, eficiência energética e poluir menos o meio ambiente.

Entre as mais modernas estão a da Ativas, construída em Belo Horizonte (MG); o novo prédio do UOL, localizado no centro da capital paulista; e a quarta unidade no Brasil da T-Systems, situada na cidade de Barueri, região metropolitana de São Paulo.

O processo de expansão dos empreendimentos continua em 2011. Algumas empresas ampliando suas infraestruturas e criando novos espaços. As mudanças passam também por fusões e entrada de novos players nacionais e internacionais.

“Esse mercado ainda é extremamente fragmentado. Por isso, estamos observando forte consolidação”, diz o analista de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) da Frost & Sullivan, Marcelo Kawanami. Exemplo disso são aquisições como da EDS pela HP; da Tivit pelo fundo norte-americano Apax Partners; da Diveo pelo UOL e da Alog pela Equinix/Riverwood Capital.

O consultor da Frost & Sullivam afirma que investidores internacionais estão observando o mercado brasileiro de data center, sinalizando que outras incorporações vão acontecer. Com esse movimento, voltaram os rumores da chegada ao País do Google, Microsoft e mais recentemente da gigante de e-commerce Amazon. A varejista estaria interessada em explorar aqui a venda de serviços na nuvem para pequenas e médias empresas.

Fontes do mercado dão conta de que Microsoft e Amazon estão mais avançadas no projeto de desembarque no País. “A Microsoft tem efetuado investimentos massivos em data centers.  O Brasil, por conta de sua representatividade, é uma das possibilidades futuras, porém neste momento ainda não tem uma previsão de instalação de um data center no País”, informa a Microsoft Brasil. Elas estariam interessadas em alinhavar parcerias para uso da infraestrutura de terceiros. O modelo de operação seria o de alianças. Porém, não se sabe ainda se haverá aquisições.

Entrevistados, que não quiseram revelar o nome, confirmaram à reportagem da revista COMPUTERWORLD que a Amazon já teria fechado um acordo com um grande data center brasileiro. A operação do varejista estaria prevista para começar ainda em 2011, com o mesmo modelo de oferta na nuvem entregue nos Estados Unidos.

Demanda reprimida

 

Na avaliação do analista da IDC Brasil, Reinaldo Roveri, os serviços de data centers estão sendo mais procurados em razão de as empresas estarem aumentando os contratos de outsourcing de TI. Ele constata que os CIOs estão muito pressionados a tomar decisões em menor espaço de tempo para suportar as operações de negócios. Além disso, o consultor acredita que os gestores querem se liberar de atividades que não são o core business e poder se dedicar mais a projetos estratégicos.

Como reflexo, Roveri prevê que o outsourcing de TI vai crescer no Brasil 9,9% ao ano até 2014. Relatório da IDC estima que esse negócio movimentará no mercado doméstico receita de 30 bilhões de reais nos próximos quatro anos, contra 19,3 bilhões de reais em 2009.

Entre os serviços de outsourcing que as empresas devem buscar mais no mercado, segundo a IDC, estão os de data center. O CEO da Ativas, Alexandre Silffert, acredita que um dos motivos que vão estimular as companhias a usar mais esse tipo de serviço é a necessidade de melhorar a governança de TI.

“Os ambientes de TI estão mais complexos e as companhias precisam de métricas para justificar a compra de novas tecnologias com capacidade para transformar os negócios. Achamos que elas vão precisar de parceiros que ajudem nesse trabalho”, acredita o executivo da Ativas, que iniciou operação no final do ano passado e estima encerrar 2011 com faturamento de 40 milhões de reais.

Para o vice-presidente de Business Development & Partnership da T-Systems, Luiz Hirayama, o mercado de data center está em alta porque as companhias precisam cuidar adequadamente de seus dados. “Elas nem sempre estão com tecnologias atualizadas.”

O presidente da Aceco, Jorge Nitzam, endossa que as companhias estão mais dependentes dos dados, pois a maioria dos negócios é suportada por sistemas informatizados.

“Terceirizar pode ser mais simples, principalmente para as que precisam se adequar às exigências de normas como Sarbanes-Oxley e Basiléia”, argumenta o executivo da T-Systems, empresa alemã do grupo Deutche Telekom, que investiu 50 milhões na construção do seu quarto data center no Brasil, instalado em Barueri e que planeja mais outro para final de 2011 e início de 2012.

Os data centers também estão mais profissionalizados e estruturados para atender aos clientes, o que contribuiu para aumentar a cultura de uso desses serviços. Marco Américo Antônio, Chief Operation officer (COO) da UOL Diveo, lembra da dificuldade que os provedores tinham para vender as soluções no ano 2000.

“Hoje, percebemos que aumentou a cultura por esse serviço e a demanda do mercado está bastante aquecida”, observa Américo Antônio. O CEO da UOL Diveo, Gil Torquato concorda. Ele diz que hoje as companhias enxergam a web como alavancadora de negócios e buscam mais serviços de data center. Por isso, o executivo acredita que as aplicações na nuvem vão puxar esse segmento.

Entretanto, Torquato ressalta a necessidade de os provedores em formar equipes treinadas para atender à nova clientela que virá, bem como atuar com uma cadeia de fornecedores e ofertas competitivas. No caso do UOL, ele afirma que após as aquisições, a empresa entrega soluções para clientes de todos os portes, incluindo grandes como Petrobras e BM&F Bovespa.

Com a compra da Diveo, Torquato acredita que o UOL se fortalece por poder entregar aos seus clientes uma solução completa com links de comunicação. “Com a oferta de Telecom, podemos ter preços mais competitivos”, diz o executivo.

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